Você Versa ou Conversa?

Que impressão você está causando?

Essa pergunta pode ser estranha, mas é pertinente. Tudo bem, você pode ser um trovador, ou um poeta, mas saber conversar é essencial para estabelecer boas relações. Uma conversa precisa ter mais de um participante, se não é um monólogo.

Conheço muitas pessoas que tem a habilidade de monologar. Para elas faltam algumas características de oratória importantes para estabelecer relações sociais de qualidade.

Saber ouvir é uma delas. Quanto mais você está disposto a ouvir quem lhe fala, mais apto você está a não falar coisas incoerentes, e que sejam do interesse de seu interlocutor (quem te escuta). Há tempo para falar e tempo para escutar, é isso que compõe uma conversa, um conjunto de proferimentos vindos de pessoas diferentes, com o objetivo de satisfazer todos os envolvidos numa conversa. Se você não está disposto a ouvir, grave um vídeo. Conversas servem para compartilhar ideias, para tirar dúvidas de outras pessoas, e refinar um conjunto de pensamentos, tornando-os mais poderosos. E para que isso seja feito você precisa pausar eventualmente, a fim de que outros se expressem. Essa é a forma de fazer com que uma conversa dure mais.

Por isso, use as pausas corretamente. Às vezes é comum a pessoa que fala sem parar pensar que o faz porque quem a escuta fala pouco. O uso correto de pausas é fundamental para se entender prontamente o que é dito. Pausar também serve para ressaltar pontos importantes. Quando você pausa, você pode ver se a cara de quem te escuta é como a desenhada logo mais acima. A famosa cara de interrogação. Nesse caso talvez seja interessante perguntar: “Entendeu?”, repetir a última coisa, ou apenas deixar espaço para que a outra pessoa se expresse.

Veja se o que você está falando deveria estar sendo dito num banheiro.

Estude os rostos. Com isso eu não quero dizer que você deve ser um Cal Lightman, mas poxa vida! Se alguém estiver fazendo uma cara como essa ao lado, você pode ter certeza de que tem algo cheirando mal ao redor, e isso pode ser o que você está falando! E dizer isso não significa que você está falando apenas coisas imprecisas, falsas, exageradas. Mas pode ser também que você esteja falando algo que não esteja agradando a outra pessoa, ou que esteja cansando-a. Use seus olhos, estabeleça um contato visual e exergue as entrelinhas, ou entrerrugas.

Já há algum tempo que eu gostaria de ter escrito este post. Na verdade ele estava como rascunho há mais de um ano aqui. Enquanto eu lia o post do Xerxes, sobre a ‘Resolução da Experiência’, como ele chama sua teoria, percebi que este post falava do lado oposto do que o dele.

Ele diz que uma das formas de fazer com que os assuntos possam convergir para uma área comum de conhecimento de todos os participantes de uma conversa, é bom não ter medo de deixar claro que algumas coisas fogem do seu conhecimento. Assim, o que a outra pessoa está falando vai se aproximar do que você sabe, e os dois estarão falando sobre a mesma coisa enfim!

A lacuna entre a sua experiência e a experiência de outros resulta na incompatibilidade de experiências.

Xerxes fala que a incompatibilidade de experiências é o que causa aquele desconforto durante uma conversa, mas eu diria que há algo mais que resulta nesse desconforto. Quanto mais você conhece sobre um assunto, mais capacitado você está a discursar sobre ele. Mas é inútil conversar sobre qualquer assunto se você é incapaz de perceber o quão compatíveis são as experiências, isto é, será que quem te escuta está interessado no que você diz?

Por isso, há pelo menos três etapas que eu consigo identificar para que uma conversa exista:

  • Explorar: Conheça o que a outra pessoa sabe sobre o assunto que vocês estão dispostos a conversar. Esclareça as coisas que você não entende sobre o que ela diz.
  • Expor: Diga o que você sabe sobre o assunto, exponha sua experiência. Analise a reação da outra pessoa, identifique quais coisas você fala que agradam seu interlocutor.
  • Equalizar: Depois de identificados os pontos em comum, é hora de eliminar ou reduzir a incompatibilidade de experiências, ou seja, falar ao máximo sobre os que os dois sabem em comum. Dessa forma é possível que tanto você quanto o outro consigam expandir sua experiência sobre o assunto.
Quando eu vejo a palavra conversar, eu vejo o co – prefixo de origem latina que indica companhia, ou contiguidade -, como representando uma tarefa que deve ser feita necessariamente com mais de uma pessoa, como em coautor, coobrigação, cofundador, copiloto, corresponsável, coparticipante, cogestão etc (não que realmente seja isso). Deixar pausas propositais numa conversa permite que o outro se expresse e o bate-papo pode tomar rumos surpreendentes!
Depois de executados os passos supracitados, há algo mais a ser feito, se você quer que futuras conversas passem a existir e que possam ser mantidas:
  • Esforce-se em entender o que o outro diz, aumentando a resolução de sua experiência;
  • Sempre que identificadas incompatibilidades de experiência, esforce-se em encontrar pontos em comum, evitando desconfortos, desentendimentos, e discórdias.
Esse é um pensamento que tenho após observar tantas pessoas que são tão verborreicas, e que não respeitam os limites do convívio social. Eu gosto de ouvir outras pessoas, e tive muitos benefícios com isso, mas também tive muitas oportunidades de falar coisas que eram relativamente construtivas, mas que foram ofuscadas pelo excesso da fala de alguns.
Viva a conversa!

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